28 de abr. de 2011

Entrando em cena

[Caroline Tavares]

Receber alguém no consultório pode ser uma tarefa muito diferente a cada vez.

Há quem já tenha feito psicoterapia, há os que imaginam como se dá o processo, e, entre outras expectativas, há os que procuram A solução rápida e objetiva do seu incômodo.

No início, no processo de formação de vínculo, algumas coisas vão ficando claras para as duas partes, inclusive que, muito provavelmente, as respostas não serão mágicas, dependerão sim de algum trabalho, tempo, persistência e mais.

Testemunhar o momento desta descoberta é ímpar - quando aquela pessoa percebe a sua vida, o seu problema e a si própria como um sistema muito mais complexo do que ela julgava até ali; quando ela percebe que está totalmente implicada em tudo aquilo e que a resposta procurada virá dela mesma; quando ela percebe que o coadjuvante é o terapeuta e que ela é roteirista, diretora, atriz, figurante, iluminadora, cinegrafista, etc, etc.

Optar por ser espectador do seu próprio processo pode significar apertar o pause ou voltar as cenas em retrocesso e depois repetí-las, imaginando ter o controle nas mãos.

24 de abr. de 2011

Ciclos

Receber, acolher, ouvir, olhar, sentir, espelhar, devolver, acompanhar

22 de jan. de 2011

A importância da atenção às subjetividades

[Caroline Tavares]

Na minha prática profissional busco identificar e estimular potenciais, tanto em crianças quanto em adultos com quem trabalho, seja em grupo ou individualmente.

Estou acompanhando dois meninos da mesma idade e as diferenças entre eles chamaram minha atenção. Então fiquei (re)pensando: em que medida os potenciais individuais são valorizados e, consequentemente, respeitadas e estimuladas as subjetividades? Será que a exigência de chegar a “resultados esperados” faz com que cuidemos da homogeneização dos indivíduos – ainda crianças – em favor da aceleração dos processos? Que tantos outros motivos temos para desconsiderar as individualidades? Será que já percebemos as consequências disso? Perguntas que se aplicam a qualquer pessoa, já que, de alguma forma, todos estamos implicados no desenvolvimento da sociedade.

Se fecharmos o foco em escolas e famílias – instituições ligadas direta e precocemente aos indivíduos – podemos refletir sobre a forma como as crianças são avaliadas e julgadas por serem mais ou menos capazes de atingir metas previamente determinadas.

Neste ponto considero importante mencionar o avanço do conceito de inteligência, implementado através de diversos estudos no decorrer do século XX, e gostaria de destacar a teoria das Inteligências Múltiplas, por extrapolar o binômio linguístico-matermático e valorizar outros tipos de inteligência. Para H. Gardner, as inteligências “são potenciais que poderão ser ou não ativados, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, seus professores e outros.” As sete inteligências originais propostas pelo autor são: linguística, lógico-matemática, musical, físico-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal; além de outras três que foram sugeridas posteriormente: naturalista, espiritual e existencial.

Volto à reflexão inicial com a intenção de sublinhar a importância da atenção às subjetividades. Tanto do ponto de vista do indivíduo, que se beneficia com a valorização e estímulo de suas potencialidades; quanto do ponto de vista da sociedade, que lucra com a riqueza das diferenças, das muitas possibilidades, das quase infinitas maneiras de estar e agir no mundo.

2 de jan. de 2011

Consultórios

No Ingá, Niterói e no Castelo, Rio de Janeiro.

18 de set. de 2010

Grupo Terapêutico

Estou formando um grupo terapêutico voltado para pessoas que tenham como objetivos o autoconhecimento e o equilíbrio emocional, visando o crescimento pessoal e a qualidade de vida.

Vamos trabalhar para valorizar a identidade, sensibilizar para a importância do autoconhecimento, favorecer a autoestima, buscar soluções para conflitos, despertar potenciais.

Quintas-feiras às 19h
Início em setembro

Local: Niterói - RJ
Contato: carolltavares@yahoo.com.br

3 de ago. de 2010

Re-significando ideias e símbolos

[Caroline Tavares]


“Nada deve parecer natural, nada deve parecer
impossível de mudar.” (Bertold Brecht)

Era um senhor de setenta anos, até há muito pouco tempo, independente. Com o acidente vascular foi obrigado a uma cadeira de rodas. Tinha que viver com grandes limitações motoras, mas sua capacidade intelectual estava intacta. Ele não se conformava com o paradoxo. Sentia-se muito mal pela perda da autonomia, pela sua incapacidade, por precisar dos outros, por supor incomodar, por enxergar – aqui e ali – alguma falta de respeito, por ser tratado como criança ou como ausente, pela falta de atividades sociais. Não se via mais ali, naquela vida.

Muitos trabalhos estavam sendo encaminhados: fisioterapia, fonoaudiologia, médicos e medicamentos, acompanhantes e cuidadores. Muita cobrança por melhora, para que ele se levantasse logo daquela cadeira e fizesse a vida – de todos – voltar ao que era.

Na primeira sessão levei alguns materiais para ver qual seria mais agradável para ele e qual se adaptaria melhor aos problemas de coordenação motora. Foi cooperativo e participante, fez traços coloridos com os lápis de cor e disse que era uma cerca.

Trabalhamos durante quatro meses, em doze sessões com os seguintes objetivos: criação de um canal de livre expressão, busca de autonomia e novas atividades, aumento da auto-estima e fortalecimento da identidade.

Certamente, muito ainda poderia ser trabalhado, visto a complexidade do caso. Porém, nesse curto espaço de tempo foi possível romper a passividade, fortalecer a identidade e “desenhar” uma vida mais agradável, com medidas de rotina mais acertadas e com confiança para falar sobre seus sentimentos, desejos, conflitos e escolhas certo de ser merecedor do respeito de todos.

Essa mudança teve início nas primeiras sessões, com a re-significação de um símbolo. Fez o primeiro desenho sem nenhuma intenção, pegou os lápis, um de cada vez, e riscou precariamente; depois olhou e reconheceu uma cerca. A cerca era colorida, mas, para ele retratava a prisão em que se encontrava. Sem autonomia, sem movimento, sem voz, sem escolha, sem esperança, sem motivação.

Na segunda sessão, voltamos ao desenho e falei sobre a cerca poder ser um refúgio, um lugar interno de força e proteção. E os olhos dele acenderam, ficou encantado e emocionado com essa possibilidade. Seu segundo desenho foi uma casa em perspectiva, feita com dificuldade devido aos problemas de coordenação motora, mas com empenho, firmeza, intenção e empoderamento. Enquanto desenhava falava como se sentia e como era tratado pelos familiares e cuidadores. O vínculo terapêutico se estabeleceu.

A partir daí, trabalhamos, principalmente, com seu nome e com imagens escolhidas por ele. Figuras diversas eram coladas em folhas de papel enquanto ele contava episódios de sua vida; seu nome foi escrito com recortes de revistas, adesivos e assinaturas trêmulas foram repetidas para devolver àquele senhor o seu poder e a sua identidade.

“E é para dentro dessa cidadela de silêncio que o homem ‘espiritual’ se recolhe, a fim de defender-se contra todos os ataques do exterior, dos sentidos e da ansiedade, pois nela reside o seu poder, e é dela que ele extrai a sua força.” (Dicionário de Símbolos – Chevalier e Gheerbrant)

Este exemplo ilustra a maneira como ideias pré-estabelecidas podem engessar a criatividade e o surgimento de novas visões. E também como a Arteterapia pode contribuir para a transformação e re-significação da vida.

4 de jun. de 2010

+ Arteterapia

A arteterapia está comprometida e inserida nos campos da saúde, educação, ciência e arte.

22 de mai. de 2010

O que é Arteterapia?

[Caroline Tavares]


É o processo terapêutico onde diversos tipos de recursos expressivos são utilizados visando possibilitar ao indivíduo vivenciar seus sentimentos, conflitos e buscas de modo que a cada construção externa/expressiva haja também a possibilidade de compreensão e reorganização internas.

Cada material suscita uma sensação e remete a determinado conteúdo a ser trabalhado, a arte propicia a revelação do inconsciente através dos símbolos. Sendo assim, a habilidade e a sensibilidade do profissional são importantes no sentido de oferecer o material que possa proporcionar melhor integração entre o que está sendo vivido e o que possa ser produzido e transformado em veículo de mudanças. A atividade criativa toma uma função regeneradora.

As descobertas e insights oriundos de cada produção expressiva são extremamente positivos no contexto terapêutico que tem seu campo de ação expandido na mesma medida em que se expande também a diversidade de modalidades e materiais que podem ser utilizados. Não há compromisso com a estética fomal, o que é valorizado é a expressão das emoções, é a criação livre como forma de comunicação.

Trata-se de autoconhecimento, equilíbrio emocional e crescimento pessoal através do potencial criativo.

4 de mai. de 2010

Despertando o potencial criativo através da arte

[Caroline Tavares]


Oficina é o lugar onde se exerce um ofício, lugar de trabalho, lugar de fazer.

Criatividade é a possibilidade de se colocar externamente, de fazer com que o que é individual, singular e interno tome forma e sentido em relação à realidade externa.
Uma oficina de criatividade pode utilizar meios diversos para alcançar o mesmo fim – o desenvolvimento da criatividade.

Que características parecem importantes para que a criatividade possa surgir? Flexibilidade, imaginação, ousadia, disponibilidade, senso de humor, curiosidade, autoconfiança e outras.

Sem algumas dessas características o indivíduo em suas relações, na família, na escola, na empresa, pode ter dificuldades para criar. Quando isso ocorre a tendência é a permanência no conforto do conhecido, do pré-estabelecido. A dificuldade com o imprevisto causa insegurança, que causa repetição, num ciclo onde não há lugar para a transformação e a inovação.

Quando na dinâmica de trabalho a arte é eleita como veículo, materiais e recursos expressivos (como pintura, modelagem, colagem, escrita criativa, contos, construção) entram em cena colorindo, movimentado e enriquecendo todo o processo criativo. Cada material guarda em si características próprias que favorecem o despertar dessa ou daquela característica humana necessária para o desenvolvimento e a expressão de potenciais.

A diversidade desses materiais e recursos expressivos oferece à Oficina a possibilidade de trabalhar valorizando a individualidade e originalidade de cada participante, bem como a interação entre eles. E ainda favorece a espontaneidade, a imaginação e o fluxo criativo; estimula a experimentação, a ousadia e a flexibilidade; e sensibiliza para a importância do autoconhecimento e da confiança em si no sucesso do processo criativo.

24 de abr. de 2010

O Segredo da Simplicidade

do livro O Mito do Significado, de Aniela Jaffé. Editora Cultrix.

"Toda declaração sobre o significado, seja uma hipótese ou uma confissão de fé, é um mito, um resultado em parte da consciência e em parte do inconsciente. O homem moderno, entretanto, é racional demais, inteligente demais, demasiadamente conhecedor de tudo, afastado demais da natureza e de suas contradições, e não leva a sério suas próprias intuições e as imagens que surgem de sua alma. (...) Para Jung, o mito converteu-se numa experiência de significado.
Por estar tão próximo da natureza, o significado dos mitos do homem primitivo dá-lhe um sentimento de segurança. Tudo que faz, tudo que experimenta, liga-se intimamente ao cosmo, às estrelas e ao vento, aos animais sagrados e aos deuses. Com sua consciência incomparavelmente mais diferenciada, o homem moderno perdeu o contato com a natureza, tanto exterior quanto interior, com suas imagens psíquicas, e, portanto, com o significado. Ele é unilateral, e prossegue desenvolvendo essa unilateralidade ao longo do caminho da diferenciação intelectual. O homem primitivo e natural que ainda habita dentro dele foi reprimido, e, por isso, degenerou e, de tempos em tempos, é tomado de fúria cega que irrompe nele como um impiedoso bárbaro. O contato do consciente com o inconsciente, curando e reintegrando, restaura a conexão com sua origem, com a fonte das imagens psíquicas. Não é regressão à barbárie, mas uma regeneração através de uma relação renovada e consciente com um espírito vivo, imergido do inconsciente. Cada passo para a frente no caminho da individuação e da cultura da alma é ao mesmo tempo um passo para trás no passado, nos mistérios da nossa própria natureza."