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19 de out. de 2011

Num dia

A mãe ligou querendo dar alguns esclarecimentos. Depois de enumerar os comportamentos que ela gostaria que o filho mudasse, perguntou: Ele chora?

A moça queria transformar seu ciúme agressivo, garantias lhe fazem falta; nos seus sonhos infantis, super heroínas e portos seguros, até a mudança do pai.

O rapaz ansioso percebeu que a expectativa que tinha em relação à sua namorada era a mesma que o fazia chorar quando sua mãe saía escondida para o trabalho, há anos atrás.

O menino desenhava chorando a incompreensão que sentia vir de todos os lados; comendo exageradamente, reagia de modo a se convencer de sua inutilidade.

Para eles e para quem mais quiser:


10 de mai. de 2011

Entrando em cena 3

Há pouco mais de dois meses recebi a mãe de um adolescente buscando acompanhamento para o filho. Pouco tempo antes ele tinha feito terapia com outra profissional, mas foi um período curto pois quis parar e a família concordou porque não tinha recebido feed-back, além de julgarem o preço alto. Logo depois, o rapaz pediu para procurar outro profissional, pois estava muito angustiado, foi então que eles chegaram a mim.

Rapaz tímido, com alma de artista, a música é seu elo positivo com a realidade. No mais, a interação é difícil. Trabalhamos juntos quase dois meses, eu via a possibilidade do processo acontecer; ele entrava em cena, fazia bem a trilha sonora. Até o dia em que seu pai ligou avisando que ele não iria mais às sessões, estava "irredutível". Ao mesmo tempo, pediu-me indicação de outro psicólogo, para dar continuidade ao trabalho.

O rapaz percebeu que o processo terapêutico desvenda algumas dificuldades e angústias, alimenta outras e pode gerar outras. Mas, ainda não percebeu que buscar vários primeiros atos não contribui para que a encenação gere os benefícios próprios do processo. É preciso tempo.

Entrando em cena 2

Há pessoas que já chegam ao consultório com o "roteiro" pronto; o processo flui, não dá pra dizer que flui facilmente, pois nem todo processo é fácil, mas é o momento e flui. Outros chegam precisando de uma "mãozinha", uma co-direção; um feed-back certeiro aciona o fluxo. Há também os que têm dificuldades maiores, que precisam de muito tempo de preparação para que consigam entrar em cena e, talvez, caminhem devagar. Mas há os que nada faz acionar o fluxo, o processo não começa, parece estar em pausa, falta um clique que não acontece ou não conecta. Algumas vezes é melhor tentar mais tarde.

28 de abr. de 2011

Entrando em cena

[Caroline Tavares]

Receber alguém no consultório pode ser uma tarefa muito diferente a cada vez.

Há quem já tenha feito psicoterapia, há os que imaginam como se dá o processo, e, entre outras expectativas, há os que procuram A solução rápida e objetiva do seu incômodo.

No início, no processo de formação de vínculo, algumas coisas vão ficando claras para as duas partes, inclusive que, muito provavelmente, as respostas não serão mágicas, dependerão sim de algum trabalho, tempo, persistência e mais.

Testemunhar o momento desta descoberta é ímpar - quando aquela pessoa percebe a sua vida, o seu problema e a si própria como um sistema muito mais complexo do que ela julgava até ali; quando ela percebe que está totalmente implicada em tudo aquilo e que a resposta procurada virá dela mesma; quando ela percebe que o coadjuvante é o terapeuta e que ela é roteirista, diretora, atriz, figurante, iluminadora, cinegrafista, etc, etc.

Optar por ser espectador do seu próprio processo pode significar apertar o pause ou voltar as cenas em retrocesso e depois repetí-las, imaginando ter o controle nas mãos.