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14 de jul. de 2012

Sobre o Feminino


a Intuição | o Corpo | o Outro | a Integração


A dinâmica do grupo ocorrerá através de materiais e técnicas expressivas que se encontrarão com afetos e criatividade das participantes, com intenção de reflexão e conscientização de questões relativas ao universo feminino.


8 encontros - Quintas-feiras de 19h às 21h
Início 9 de agosto


CAROLINE TAVARES
Psicóloga Arteterapeuta Practitioner de Bach


Confirme sua presença!!
21 8624-0342
carolltavares@yahoo.com.br


Local: Ingá  Niterói

Participe!! Divulgue!!

4 de jun. de 2012

Vamos cantar?


Canto Coral
De 20 a 20mil hertz – Uma vivência musical

Convidamos você para conhecer e participar de nossa proposta de trabalho com a música, que inclui e vai além de aprender a cantar.
A música pode atuar como ponte, um meio de integrar as experiências do dia a dia a conteúdos subjetivos, e também como combustível de alegria e força dionisíaca de vitalidade. Cantar em grupo oferece ricas oportunidades para trabalhar de maneira leve a harmonização de aspectos importantes para a qualidade de vida.
Um dos objetivos de nossa proposta é oferecer o canto coral como agente de mudanças, acolhendo o movimento transformador inerente a uma atividade lúdica de criação em grupo.

Que tal cantar e...
*        Experimentar a música em grupo.
*        Envolver-se em uma atividade prazerosa.
*        Experimentar música com a vibração do seu corpo.
*        Vivenciar o cantar como ferramenta de organização dos afetos, dos conflitos, das ideias.

Venha conhecer nossa proposta!
Público alvo: Pessoas que gostem de cantar

Facilitadores
Caroline Tavares CRP 14314/05 | psicóloga, arteterapeuta, practitioner de Bach
Marco Aurélio Zago CRP 38380/05 | psicólogo, filósofo, músico

Aula experimental gratuita para formação de grupo:
Sábado, dia 16 de junho, de 10h30 às 12h

Confirme sua presença pelos e-mails:

Local: Ingá - Niterói

                                                 Divulgue!! Participe!!

20 de abr. de 2012

Reconhecimento

Os grupos propiciam trocas.

Essas trocas são reveladoras de diferenças de comportamentos, valores, experiências, opiniões entre os indivíduos. Essas diferenças apontam para novas possibilidades às vezes nunca pensadas, e isto pode ser o início de mudanças das próprias atitudes ou, ao menos, do olhar, do ponto de vista, de paradigmas.

Nada como olhar para o lado para reconhecer a possibilidade de ser diferente, não para ser igual ao outro, mas para perceber que não é preciso manter a mesma atitude sempre, é possível transformar-se.

A observação das diferenças reafirma o ideal de equilíbrio, o meio do caminho entre a razão e a emoção, a análise e a síntese, a prática e a teoria, o simples e o complexo, o rápido e o lento, o objetivo e o subjetivo entre tantas outras posições supostamente opostas.

Transitar entre esses extremos é um modo mais confortável e rico de estar no mundo.



27 de out. de 2011

"A co-presença do visível e do invisível sustenta a vida."

James Hillman continua:

"A grande tarefa de uma cultura que sustente a vida, então, é manter os invisíveis ligados, os deuses sorridentes e satisfeitos. É convidá-los a ficar, e para isso, agradá-los com rituais e oferendas. Com cantos e danças, pinturas corporais e ladainhas. Com celebrações de datas e memórias. Com grandes doutrinas como a da encarnação e com pequenos gestos intuitivos - ... Tudo isso não tem nada a ver com crença, ... É simplesmente um meio de não esquecer que os invisíveis podem ir embora, deixando-nos apenas com relacionamentos humanos para nos dar proteção."

24 de out. de 2011

Com-chita


Trabalho de Carla Espínola

Apresentado na exposição De Cor-AÇÃO, realização da Clínica Pomar, na Galeria La Salle - Niterói, em outubro de 2011


"Sinto Com-chita como bailarina das cores e do tempo...

É do interior, onde moram a leveza e a simplicidade.

Tem nos pés a liberdade dos passos, que traçam no tempo e no vento sua história.

Ouve a música secreta do seu coração e vai bailando feliz pela vida."

21 de out. de 2011

Fiando imaginação

Algumas imagens construídas no encontro 7 do Projeto Qualidade de Vida, referente ao conto Fátima, a fiandeira.




19 de out. de 2011

Num dia

A mãe ligou querendo dar alguns esclarecimentos. Depois de enumerar os comportamentos que ela gostaria que o filho mudasse, perguntou: Ele chora?

A moça queria transformar seu ciúme agressivo, garantias lhe fazem falta; nos seus sonhos infantis, super heroínas e portos seguros, até a mudança do pai.

O rapaz ansioso percebeu que a expectativa que tinha em relação à sua namorada era a mesma que o fazia chorar quando sua mãe saía escondida para o trabalho, há anos atrás.

O menino desenhava chorando a incompreensão que sentia vir de todos os lados; comendo exageradamente, reagia de modo a se convencer de sua inutilidade.

Para eles e para quem mais quiser:


10 de mai. de 2011

Entrando em cena 3

Há pouco mais de dois meses recebi a mãe de um adolescente buscando acompanhamento para o filho. Pouco tempo antes ele tinha feito terapia com outra profissional, mas foi um período curto pois quis parar e a família concordou porque não tinha recebido feed-back, além de julgarem o preço alto. Logo depois, o rapaz pediu para procurar outro profissional, pois estava muito angustiado, foi então que eles chegaram a mim.

Rapaz tímido, com alma de artista, a música é seu elo positivo com a realidade. No mais, a interação é difícil. Trabalhamos juntos quase dois meses, eu via a possibilidade do processo acontecer; ele entrava em cena, fazia bem a trilha sonora. Até o dia em que seu pai ligou avisando que ele não iria mais às sessões, estava "irredutível". Ao mesmo tempo, pediu-me indicação de outro psicólogo, para dar continuidade ao trabalho.

O rapaz percebeu que o processo terapêutico desvenda algumas dificuldades e angústias, alimenta outras e pode gerar outras. Mas, ainda não percebeu que buscar vários primeiros atos não contribui para que a encenação gere os benefícios próprios do processo. É preciso tempo.

Entrando em cena 2

Há pessoas que já chegam ao consultório com o "roteiro" pronto; o processo flui, não dá pra dizer que flui facilmente, pois nem todo processo é fácil, mas é o momento e flui. Outros chegam precisando de uma "mãozinha", uma co-direção; um feed-back certeiro aciona o fluxo. Há também os que têm dificuldades maiores, que precisam de muito tempo de preparação para que consigam entrar em cena e, talvez, caminhem devagar. Mas há os que nada faz acionar o fluxo, o processo não começa, parece estar em pausa, falta um clique que não acontece ou não conecta. Algumas vezes é melhor tentar mais tarde.

28 de abr. de 2011

Entrando em cena

[Caroline Tavares]

Receber alguém no consultório pode ser uma tarefa muito diferente a cada vez.

Há quem já tenha feito psicoterapia, há os que imaginam como se dá o processo, e, entre outras expectativas, há os que procuram A solução rápida e objetiva do seu incômodo.

No início, no processo de formação de vínculo, algumas coisas vão ficando claras para as duas partes, inclusive que, muito provavelmente, as respostas não serão mágicas, dependerão sim de algum trabalho, tempo, persistência e mais.

Testemunhar o momento desta descoberta é ímpar - quando aquela pessoa percebe a sua vida, o seu problema e a si própria como um sistema muito mais complexo do que ela julgava até ali; quando ela percebe que está totalmente implicada em tudo aquilo e que a resposta procurada virá dela mesma; quando ela percebe que o coadjuvante é o terapeuta e que ela é roteirista, diretora, atriz, figurante, iluminadora, cinegrafista, etc, etc.

Optar por ser espectador do seu próprio processo pode significar apertar o pause ou voltar as cenas em retrocesso e depois repetí-las, imaginando ter o controle nas mãos.

22 de jan. de 2011

A importância da atenção às subjetividades

[Caroline Tavares]

Na minha prática profissional busco identificar e estimular potenciais, tanto em crianças quanto em adultos com quem trabalho, seja em grupo ou individualmente.

Estou acompanhando dois meninos da mesma idade e as diferenças entre eles chamaram minha atenção. Então fiquei (re)pensando: em que medida os potenciais individuais são valorizados e, consequentemente, respeitadas e estimuladas as subjetividades? Será que a exigência de chegar a “resultados esperados” faz com que cuidemos da homogeneização dos indivíduos – ainda crianças – em favor da aceleração dos processos? Que tantos outros motivos temos para desconsiderar as individualidades? Será que já percebemos as consequências disso? Perguntas que se aplicam a qualquer pessoa, já que, de alguma forma, todos estamos implicados no desenvolvimento da sociedade.

Se fecharmos o foco em escolas e famílias – instituições ligadas direta e precocemente aos indivíduos – podemos refletir sobre a forma como as crianças são avaliadas e julgadas por serem mais ou menos capazes de atingir metas previamente determinadas.

Neste ponto considero importante mencionar o avanço do conceito de inteligência, implementado através de diversos estudos no decorrer do século XX, e gostaria de destacar a teoria das Inteligências Múltiplas, por extrapolar o binômio linguístico-matermático e valorizar outros tipos de inteligência. Para H. Gardner, as inteligências “são potenciais que poderão ser ou não ativados, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, seus professores e outros.” As sete inteligências originais propostas pelo autor são: linguística, lógico-matemática, musical, físico-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal; além de outras três que foram sugeridas posteriormente: naturalista, espiritual e existencial.

Volto à reflexão inicial com a intenção de sublinhar a importância da atenção às subjetividades. Tanto do ponto de vista do indivíduo, que se beneficia com a valorização e estímulo de suas potencialidades; quanto do ponto de vista da sociedade, que lucra com a riqueza das diferenças, das muitas possibilidades, das quase infinitas maneiras de estar e agir no mundo.

20 de mar. de 2010

Resenha: As Três Ecologias de Félix Guatari

[Juliana Veiga *]


O autor inicia o livro narrando sobre as intensas transformações técnico-científicas do Planeta Terra que acabam por engendrar fenômenos de desequilíbrios ecológicos. Ao mesmo tempo os modos de vida individuais e coletivos se encaminham para uma padronização dos comportamentos, como ele cita. Além de que “a vida doméstica vem sendo gangrenada pelo consumo da mídia”.

Para a mudança desse quadro, Guattari propõe a articulação ético-política, que ele chama de ecosofia, entre o que seriam os “três registros ecológicos”: o do meio ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana. Para ele, o que está em questão é a maneira de se viver no planeta daqui em diante.

A resposta a essa crise ecológica viria da revolução política, social e cultural. “Essa revolução deverá concernir, portanto, não só às relações de forças visíveis em grande escala mas também aos domínios moleculares de sensibilidade, de inteligência e de desejo”, ou seja, de subjetividade.

Porém, os Estados se impõem cada vez menos como instâncias mediadoras, se colocando a serviço do “mercado mundial e dos complexos militar-industriais”.

Dessa maneira, o paradoxo está instalado: de um lado, o desenvolvimento de meios técnico-científicos com potencial de resolver e reequilibrar as problemáticas ecológicas dominantes, e de outro, a incapacidade das forças sociais e, portanto, subjetivas de se apropriar desses meios para torná-los positivos, funcionais, ou operativos como coloca o autor.

Apesar disso, alguns fatos nos levam a pensar que transformações estão em curso. Guattari dá o exemplo da designação de mulheres para cargos de chefia e reivindicação de paridade homem-mulher nas instâncias representativas.

“A nova referência ecosófica indica linhas de recomposição das práxis humanas nos mais variados domínios (...) Trata-se, a cada vez, de se debruçar sobre o que poderiam ser os dispositivos de produção de subjetividade, indo no sentido de uma re-singularização individual e/ou coletiva, ao invés de ir no sentido de uma usinagem pela mídia, sinônimo de desolação e desespero”.

Isso significa dizer que a ecosofia social se constitui a partir do desenvolvimento de práticas específicas que modifiquem e reinventem maneiras de ser no que diz respeito à família, ao casal, ao contexto urbano, ao trabalho, etc. Um casal não é mais necessariamente composto por homem e mulher, uma família não é necessariamente composta por filhos biológicos.

Ou seja, é inconcebível querer aplicar as mesmas fórmulas do passado numa sociedade que, ao contrário, deve se reinventar conforme as demandas e subjetividades de sua época.

Nesse domínio, o autor comenta: “Não nos ateríamos às recomendações gerais mas faríamos funcionar práticas efetivas de experimentação tanto nos níveis microssociais quanto em escalas institucionais maiores.” Entendo níveis microssociais como “locais de atuação” dos grupos sociais, como a família, a escola, a igreja, os espaços culturais. Escalas institucionais maiores seria basicamente o Estado e suas formas de poder.

Aqui entendo que o autor propõe agir nas brechas, partindo de uma micropolítica (escola, família, espaços culturais, etc) para reinventar a macropolítica e suas formas de engendrar o poder.

O autor sugere falar em componentes de subjetivação ao invés de sujeito, para reexaminar a interioridade do indivíduo que se dá no “cruzamento de múltiplos componentes relativamente autônomos uns em relação aos outros e, se for o caso, francamente discordantes”. Ou seja, essa interioridade é composta por antagonismos que não são necessariamente complementares.

Sobre a psicanálise, Guattari fala da importância de seus “fantasmas” serem desmascarados no sentido de uma não sustentação das nossas maneiras de pensar a sexualidade, a infância, a neurose. A questão colocada por ele é de re-orientar esses conceitos e práticas para dar-lhes outro uso, desenraizando-os de suas fórmulas prontas, deterministas, enfim, dos estereótipos e repetições “congeladas”.

E para isso, ele cita a “lógica das intensidades ou a eco-lógica”, em oposição à lógica dos conjuntos discursivos, que leva em conta o processo de “se pôr a ser”, o movimento; rompendo com o que é totalizante, pondo-se a trabalhar por conta própria. É algo que se coloca atravessado à ordem “normal” das coisas.

O que o autor chama de Capitalismo Mundial Integrado (CMI) tende, cada vez mais, em tirar seu foco de poder das estruturas de produção de bens e serviços para as estruturas que produzem signos; subjetividade. É a produção de subjetividade por intermédio da mídia, da publicidade.

A questão que se coloca para o futuro é a de cultivar a produção singular da existência, ou o que ele chama de dissenso. Ou seja, o cultivo da diferença como algo positivo e possível. É a partir daí que devem surgir frentes heterogêneas para articular as novas práticas ecológicas, ou seja, micropolíticas e microssociais.

O que Guattari propõe é fazer com que a singularidade, a exceção, a raridade funcionem junto com uma ordem estatal o menos pesada possível. A eco-lógica não se propõe resolver os contrários, mas os coloca em luta.

“Essa nova lógica ecosófica, volto a sublinhar, se aparenta à do artista que pode ser levado a remanejar sua obra a partir da intrusão de um detalhe acidental, de um acontecimento-incidente que repentinamente faz bifurcar seu projeto inicial, para fazê-lo derivar longe das perspectivas anteriores mais seguras.”

É a possibilidade da mudança, do fazer diferente, do re-significar, que permite o não-engessamento das práticas culturais.

* Mestranda em Cultura e Territorialidade na UFF
Texto escrito em 2009, na graduação em Produção Cultural UFF.