28 de abr. de 2011
Entrando em cena
24 de abr. de 2011
22 de jan. de 2011
A importância da atenção às subjetividades
Na minha prática profissional busco identificar e estimular potenciais, tanto em crianças quanto em adultos com quem trabalho, seja em grupo ou individualmente.
Estou acompanhando dois meninos da mesma idade e as diferenças entre eles chamaram minha atenção. Então fiquei (re)pensando: em que medida os potenciais individuais são valorizados e, consequentemente, respeitadas e estimuladas as subjetividades? Será que a exigência de chegar a “resultados esperados” faz com que cuidemos da homogeneização dos indivíduos – ainda crianças – em favor da aceleração dos processos? Que tantos outros motivos temos para desconsiderar as individualidades? Será que já percebemos as consequências disso? Perguntas que se aplicam a qualquer pessoa, já que, de alguma forma, todos estamos implicados no desenvolvimento da sociedade.
Se fecharmos o foco em escolas e famílias – instituições ligadas direta e precocemente aos indivíduos – podemos refletir sobre a forma como as crianças são avaliadas e julgadas por serem mais ou menos capazes de atingir metas previamente determinadas.
Neste ponto considero importante mencionar o avanço do conceito de inteligência, implementado através de diversos estudos no decorrer do século XX, e gostaria de destacar a teoria das Inteligências Múltiplas, por extrapolar o binômio linguístico-matermático e valorizar outros tipos de inteligência. Para H. Gardner, as inteligências “são potenciais que poderão ser ou não ativados, dependendo dos valores de uma cultura específica, das oportunidades disponíveis nessa cultura e das decisões pessoais tomadas por indivíduos e/ou suas famílias, seus professores e outros.” As sete inteligências originais propostas pelo autor são: linguística, lógico-matemática, musical, físico-cinestésica, espacial, interpessoal e intrapessoal; além de outras três que foram sugeridas posteriormente: naturalista, espiritual e existencial.
Volto à reflexão inicial com a intenção de sublinhar a importância da atenção às subjetividades. Tanto do ponto de vista do indivíduo, que se beneficia com a valorização e estímulo de suas potencialidades; quanto do ponto de vista da sociedade, que lucra com a riqueza das diferenças, das muitas possibilidades, das quase infinitas maneiras de estar e agir no mundo.
2 de jan. de 2011
18 de set. de 2010
Grupo Terapêutico
Vamos trabalhar para valorizar a identidade, sensibilizar para a importância do autoconhecimento, favorecer a autoestima, buscar soluções para conflitos, despertar potenciais.
Quintas-feiras às 19h
Início em setembro
Local: Niterói - RJ
Contato: carolltavares@yahoo.com.br
3 de ago. de 2010
Re-significando ideias e símbolos
impossível de mudar.” (Bertold Brecht)
Era um senhor de setenta anos, até há muito pouco tempo, independente. Com o acidente vascular foi obrigado a uma cadeira de rodas. Tinha que viver com grandes limitações motoras, mas sua capacidade intelectual estava intacta. Ele não se conformava com o paradoxo. Sentia-se muito mal pela perda da autonomia, pela sua incapacidade, por precisar dos outros, por supor incomodar, por enxergar – aqui e ali – alguma falta de respeito, por ser tratado como criança ou como ausente, pela falta de atividades sociais. Não se via mais ali, naquela vida.
Muitos trabalhos estavam sendo encaminhados: fisioterapia, fonoaudiologia, médicos e medicamentos, acompanhantes e cuidadores. Muita cobrança por melhora, para que ele se levantasse logo daquela cadeira e fizesse a vida – de todos – voltar ao que era.
Na primeira sessão levei alguns materiais para ver qual seria mais agradável para ele e qual se adaptaria melhor aos problemas de coordenação motora. Foi cooperativo e participante, fez traços coloridos com os lápis de cor e disse que era uma cerca.
Trabalhamos durante quatro meses, em doze sessões com os seguintes objetivos: criação de um canal de livre expressão, busca de autonomia e novas atividades, aumento da auto-estima e fortalecimento da identidade.
Certamente, muito ainda poderia ser trabalhado, visto a complexidade do caso. Porém, nesse curto espaço de tempo foi possível romper a passividade, fortalecer a identidade e “desenhar” uma vida mais agradável, com medidas de rotina mais acertadas e com confiança para falar sobre seus sentimentos, desejos, conflitos e escolhas certo de ser merecedor do respeito de todos.
Essa mudança teve início nas primeiras sessões, com a re-significação de um símbolo. Fez o primeiro desenho sem nenhuma intenção, pegou os lápis, um de cada vez, e riscou precariamente; depois olhou e reconheceu uma cerca. A cerca era colorida, mas, para ele retratava a prisão em que se encontrava. Sem autonomia, sem movimento, sem voz, sem escolha, sem esperança, sem motivação.
Na segunda sessão, voltamos ao desenho e falei sobre a cerca poder ser um refúgio, um lugar interno de força e proteção. E os olhos dele acenderam, ficou encantado e emocionado com essa possibilidade. Seu segundo desenho foi uma casa em perspectiva, feita com dificuldade devido aos problemas de coordenação motora, mas com empenho, firmeza, intenção e empoderamento. Enquanto desenhava falava como se sentia e como era tratado pelos familiares e cuidadores. O vínculo terapêutico se estabeleceu.
A partir daí, trabalhamos, principalmente, com seu nome e com imagens escolhidas por ele. Figuras diversas eram coladas em folhas de papel enquanto ele contava episódios de sua vida; seu nome foi escrito com recortes de revistas, adesivos e assinaturas trêmulas foram repetidas para devolver àquele senhor o seu poder e a sua identidade.
“E é para dentro dessa cidadela de silêncio que o homem ‘espiritual’ se recolhe, a fim de defender-se contra todos os ataques do exterior, dos sentidos e da ansiedade, pois nela reside o seu poder, e é dela que ele extrai a sua força.” (Dicionário de Símbolos – Chevalier e Gheerbrant)
Este exemplo ilustra a maneira como ideias pré-estabelecidas podem engessar a criatividade e o surgimento de novas visões. E também como a Arteterapia pode contribuir para a transformação e re-significação da vida.
4 de jun. de 2010
+ Arteterapia
22 de mai. de 2010
O que é Arteterapia?
Cada material suscita uma sensação e remete a determinado conteúdo a ser trabalhado, a arte propicia a revelação do inconsciente através dos símbolos. Sendo assim, a habilidade e a sensibilidade do profissional são importantes no sentido de oferecer o material que possa proporcionar melhor integração entre o que está sendo vivido e o que possa ser produzido e transformado em veículo de mudanças. A atividade criativa toma uma função regeneradora.
As descobertas e insights oriundos de cada produção expressiva são extremamente positivos no contexto terapêutico que tem seu campo de ação expandido na mesma medida em que se expande também a diversidade de modalidades e materiais que podem ser utilizados. Não há compromisso com a estética fomal, o que é valorizado é a expressão das emoções, é a criação livre como forma de comunicação.
Trata-se de autoconhecimento, equilíbrio emocional e crescimento pessoal através do potencial criativo.
4 de mai. de 2010
Despertando o potencial criativo através da arte
Criatividade é a possibilidade de se colocar externamente, de fazer com que o que é individual, singular e interno tome forma e sentido em relação à realidade externa.
Uma oficina de criatividade pode utilizar meios diversos para alcançar o mesmo fim – o desenvolvimento da criatividade.
Que características parecem importantes para que a criatividade possa surgir? Flexibilidade, imaginação, ousadia, disponibilidade, senso de humor, curiosidade, autoconfiança e outras.
Sem algumas dessas características o indivíduo em suas relações, na família, na escola, na empresa, pode ter dificuldades para criar. Quando isso ocorre a tendência é a permanência no conforto do conhecido, do pré-estabelecido. A dificuldade com o imprevisto causa insegurança, que causa repetição, num ciclo onde não há lugar para a transformação e a inovação.
Quando na dinâmica de trabalho a arte é eleita como veículo, materiais e recursos expressivos (como pintura, modelagem, colagem, escrita criativa, contos, construção) entram em cena colorindo, movimentado e enriquecendo todo o processo criativo. Cada material guarda em si características próprias que favorecem o despertar dessa ou daquela característica humana necessária para o desenvolvimento e a expressão de potenciais.
A diversidade desses materiais e recursos expressivos oferece à Oficina a possibilidade de trabalhar valorizando a individualidade e originalidade de cada participante, bem como a interação entre eles. E ainda favorece a espontaneidade, a imaginação e o fluxo criativo; estimula a experimentação, a ousadia e a flexibilidade; e sensibiliza para a importância do autoconhecimento e da confiança em si no sucesso do processo criativo.
24 de abr. de 2010
O Segredo da Simplicidade
"Toda declaração sobre o significado, seja uma hipótese ou uma confissão de fé, é um mito, um resultado em parte da consciência e em parte do inconsciente. O homem moderno, entretanto, é racional demais, inteligente demais, demasiadamente conhecedor de tudo, afastado demais da natureza e de suas contradições, e não leva a sério suas próprias intuições e as imagens que surgem de sua alma. (...) Para Jung, o mito converteu-se numa experiência de significado.
Por estar tão próximo da natureza, o significado dos mitos do homem primitivo dá-lhe um sentimento de segurança. Tudo que faz, tudo que experimenta, liga-se intimamente ao cosmo, às estrelas e ao vento, aos animais sagrados e aos deuses. Com sua consciência incomparavelmente mais diferenciada, o homem moderno perdeu o contato com a natureza, tanto exterior quanto interior, com suas imagens psíquicas, e, portanto, com o significado. Ele é unilateral, e prossegue desenvolvendo essa unilateralidade ao longo do caminho da diferenciação intelectual. O homem primitivo e natural que ainda habita dentro dele foi reprimido, e, por isso, degenerou e, de tempos em tempos, é tomado de fúria cega que irrompe nele como um impiedoso bárbaro. O contato do consciente com o inconsciente, curando e reintegrando, restaura a conexão com sua origem, com a fonte das imagens psíquicas. Não é regressão à barbárie, mas uma regeneração através de uma relação renovada e consciente com um espírito vivo, imergido do inconsciente. Cada passo para a frente no caminho da individuação e da cultura da alma é ao mesmo tempo um passo para trás no passado, nos mistérios da nossa própria natureza."
